01 jul

Multimorbidade: veja ela como atinge a vida e a rotina dos idosos

Multimorbidade é a situação em que a pessoa vive com duas ou mais doenças crônicas, como asma, problemas na coluna, reumatismo, hipertensão, diabetes, câncer, entre outras. Esta condição é uma realidade no cenário de envelhecimento da população mundial, atingindo dois em cada três idosos.

Para entender como a multimordidade afeta o dia a dia dos idosos, e como a situação deve ser administrada em meio a tantos tratamentos e ingestão de medicamentos, entrevistamos a médica e coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde da Unimed do Brasil, Silvia Esposito.

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1. Como o idoso consegue lidar com tantos medicamentos e com os diferentes efeitos de cada um deles?

Para que o idoso possa gerenciar a utilização de diversos medicamentos e seus efeitos, o mais recomendável é que ele possa contar com um médico generalista, como médico de família, responsável pela coordenação do cuidado. Este profissional pode avaliar as interações medicamentosas para melhor adequação, se necessário. Devido à dificuldade em encontrar este perfil médico também é possível buscar o atendimento junto a um geriatra.

2. Com tantos médicos dando instruções diferentes para cada doença, como o idoso define quais são os cuidados prioritários?

O paciente deve sempre seguir as recomendações do médico generalista, pois é este profissional que fará a coordenação do cuidado a partir da visão completa do histórico deste paciente.

3. Quais as alternativas do paciente para promover melhorias em sua qualidade de vida?

Sugerimos que o paciente, ou seus familiares e cuidadores, aprendam comportamentos importantes de autocuidado. Desta forma, junto à equipe de saúde coordenadora do trato, será mais fácil prevenir problemas e saber o que fazer, ou quem procurar, na ocorrência de condições adversas.

4. É possível que o paciente coloque os diferentes especialistas que o acompanham em contato para obter orientações completas? O geriatra tem esse papel?

Sim, o geriatra pode ter este papel. Há instituições que já começaram a utilizar prontuários eletrônicos para integração dos dados e auxílio no conhecimento do histórico integral do paciente.

5. Qual o papel do sistema de saúde, seja público ou privado, para garantir a assistência eficiente a esses pacientes? Como estão estruturados hoje?

De modo geral o modelo de assistência à saúde precisa ser reformulado. É fundamental investir na medicina preventiva e em ações integradas que beneficiem a qualidade de vida dos beneficiários de planos de saúde, pois o sistema público não está adequadamente dimensionado, o que acaba por não efetivar o cuidado integral ao cidadão. O sistema de saúde privado está ainda trabalhando no modelo fee-for-service (pagamento por serviço), que não é sustentável, pois mostra muito desperdício e pouca qualidade.

6. Quais as referências em outros países?

Holanda, Inglaterra, Canadá e França estão entre os países considerados referências pelo trabalho desenvolvido com atenção primária à saúde. Esses países alcançaram não só a qualidade do atendimento, por meio de um serviço de atenção primária estruturado, mas também a eficiência nos custos médicos.

Médica-Sílvia-Esposito*Sílvia Esposito é coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde da Unimed do Brasil,pós-graduada em Promoção da Saúde e Medicina do Trabalho e especializada em Pediatria e Alergia Pediátrica. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos.