29 jan

Melanoma: entenda este tipo de câncer e como prevenir

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima para 2016, 181 mil novos casos de câncer de pele no Brasil, sendo 83,8 mil em homens e 97,5 mil em mulheres.O melanoma é o tipo mais agressivo da doença, podendo se espalhar pelos nódulos linfáticos e órgãos distantes. Se por um lado representa apenas 5% dos casos de câncer de pele, é o responsável pela quase totalidade das mortes desse tipo de neoplasia.

Para compreender o melanoma, é importante primeiro entender a anatomia da pele, maior órgão do corpo. A camada externa da pele, chamada epiderme, contém células que produzem a melanina, os melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele. Elevada exposição a raios ultravioleta (naturais ou artificiais), pele clara, histórico familiar, pele com muitas manchas e múltiplas alterações genéticas são associados com a transformação dos melanócitos em células do melanoma.

melanoma

Se detectado no início é curável e pode ser retirado por cirurgia. No entanto, em sua fase inicial, se assemelha com uma mancha normal, dificultando a suspeita pelo próprio paciente. Não raro, a doença só é descoberta em fase avançada, quando já comprometeu outros órgãos, como cérebro, pulmões, ossos ou fígado.

Entre as alterações genéticas associadas com o desenvolvimento e evolução do melanoma, o condutor mais predominante refere-se ao gene BRAF, encontrado em mais de 50% dos tumores – destes, aproximadamente 85% portam uma mutação V600E ou V600K. Mutações BRAF levam a uma ativação anormal na via MAPK, que é encarregada de controlar a proliferação das células. Como resultado, há um descontrole na multiplicação das células tumorais e na resistência à quimioterapia.

Companhias farmacêuticas têm desenvolvido medicamentos que têm foco de atuação nesta via celular específica de BRAF. Usando uma pequena amostra de tecido, um teste genético pode detectar mutações BRAF e dar aos médicos mais informações sobre o tumor. O tratamento, nesse caso, visa inibir a mutação da via MAPK, prejudicando, assim, a reprodução descontrolada das células doentes.

Pacientes com melanoma metastático com mutação no gene BRAF, que respondem positivamente ao tratamento, ainda se deparam com a possibilidade de a doença progredir por outra via: a MEK. Por esta razão, é importante saber quais tratamentos podem ser administrados em conjunto, já que a associação de medicamentos pode aumentar a eficiência da terapia e elevar a sobrevida global dos pacientes.

Importante

  • Melanoma metastático é um tipo de câncer agressivo e que ameaça a vida, sendo sua taxa de sobrevida em longo prazo menor para pacientes com doença avançada;
  • Cerca de 40% dos pacientes com melanoma avançado desenvolvem metástase no cérebro;
  • Segundo estudo da Universidade de Nova Iorque, é provável que o risco de desenvolvimento de melanoma tenha aumentado em 30 vezes ao longo dos últimos 80 anos (sendo o risco de 1 a cada 1500 indivíduos em 1935 para  1 a cada 50 indivíduos em 2015);
  • O principal fator associado ao crescimento da incidência de melanoma é o aumento de exposição ao sol, sendo responsável por até 65% dos casos. Queimaduras solares, exposição a substâncias químicas, como arsênio e solventes, e o volume de exposição solar durante a infância também podem ter implicação na causa da doença.

Se houve quaisquer lesões suspeitas, leve em consideração o ABC do melanoma:

A

Assimetria – uma parte, ouum lado da lesão é diferente da outra.

B

Bordas – a lesão terá bordas irregulares.

C

Cor – A lesão poderá ter diferentes tonalidades de vermelhor, marrom, preto, azul ou rosa.

D

Diâmetro – a lesão aumenta aos poucos de tamanho

E

Evolução – mudança na aparência e sintomas, como sangramento ou coceira.