24 jun

Diabetes pode levar de 5 a 7 anos para se desenvolver e ser diagnosticado

Médica alerta para a importância do diagnóstico precoce e como notar os primeiros sinais da doença

Idealizado para conscientizar a população sobre os males do diabetes, o Dia Nacional da Diabetes, comemorado em 26 de junho, chama a atenção para números alarmantes: aproximadamente 30% dos pacientes não sabem que são portadores da doença e até 25% das pessoas recém-diagnosticadas já possuem complicações relacionadas ao diabetes. Para casos de diabetes tipo 2, relacionado ao sedentarismo, à obesidade e a resistência à ação da insulina, cerca de 50% dos portadores desconhecem a doença pela falta de sintomas, podendo chegar a um período de cinco a sete anos entre o início e o diagnóstico da patologia.

Segundo a dra. Emanuela Cavalari, endocrinologista que integra o corpo clínico do laboratório Sérgio Franco, o diabetes que não é tratado pode resultar em várias outras complicações micro e macrovasculares, como lesões nos rins, distúrbios neurológicos e doenças coronarianas agudas, como o infarto. Sendo assim, o diagnóstico precoce é imprescindível ter uma diabetes controlada e minimizar os danos da doença.

“O segredo para diagnosticar o diabetes com antecedência é realizar consultas médicas e exames periodicamente, sob orientação do médico”, explica Emanuela, que completa, afirmando que a prevalência do diabetes no Brasil aumenta com a idade: “Enquanto 2,7% das pessoas na faixa etária de 30 a 59 anos têm a doença, o índice pula para 17,4% entre os pacientes com idade entre 60 e 69 anos.”

Diabetes

Diabetes Tipo 1

O diabetes tipo 1, que acomete principalmente crianças, adolescentes e jovens adultos, é geralmente uma doença autoimune que destrói as células produtoras de insulina no pâncreas, o que torna necessárias as injeções para regular a glicose. Para detectar a doença, o paciente pode fazer os seguintes exames: glicemia de jejum, que mede o nível de açúcar no sangue naquele momento, e hemoglobina glicada, que mostra a quantidade média de açúcar no sangue nos últimos três meses – todos oferecidos pelo laboratório Sérgio Franco. Também é necessário atenção caso aconteça a glicemia ocasional elevada (> 200mg/dL), mesmo quando a pessoa não está em jejum. Essa condição, aliada a outros sintomas da doença como emagrecimento, fome e sede excessiva, pode indicar a presença da patologia.

“Além dos exames para confirmar o diabetes, existem também disponíveis exames para auxiliar sua definição etiológica, como os anticorpos que agem contra o pâncreas e seu principal hormônio, a insulina, presentes no diabetes tipo 1, de causa autoimune. Esses anticorpos podem estar presentes meses ou anos antes do diagnóstico da doença, ou seja, na fase pré-clínica do diabetes e em até 90% dos indivíduos quando se detecta hiperglicemia ou um volume excessivo de açúcar na corrente sanguínea”, comenta.

Diabetes Gestacional

É importante que a gestante diabética mantenha seus níveis de glicose controlados, já que bebês de mães diabéticas estão em maior risco de mortalidade em comparação com crianças nascidas de mães sem a doença. A falta de controle glicêmico aumenta a chance de o bebê nascer com anomalias congênitas, especialmente cardiovasculares e defeitos do sistema nervoso central, macrossomia (recém-nascidos acima de 4 quilos), nascimento prematuro, complicações respiratórias e outros distúrbios. É recomendado que a dosagem de glicose dos recém-nascidos de mães diabéticas seja feita logo após o parto, uma vez que esses bebês apresentam um risco maior de hipoglicemia (queda da glicose).

Diabetes Tipo 2

Já o diabetes tipo 2 está relacionado ao sedentarismo, à obesidade e a resistência à ação da insulina, sendo mais comum em pessoas que já passaram dos 45 anos. Nesse tipo de patologia, cerca de 50% dos pacientes desconhecem ter a doença por apresentar pouco ou nenhum sintoma, podendo haver um período de 5 a 7 anos entre o início da doença e seu diagnóstico. No caso, a dra. Emanuela reforça que não se deve esperar o paciente apresentar um quadro clínico, e sim rastrear os grupos de risco: pessoas com idade acima de 45 anos ou mais jovens que tenham fatores suscetíveis à doença, como obesidade, hipertensão arterial, alteração do colesterol, ovários policísticos e histórico familiar de diabetes. Para rastrear a doença nesses pacientes, é feita a dosagem da glicemia em jejum.

“Os sintomas iniciais do diabetes tipo 2 podem ser inespecíficos, como tonturas, dificuldade visual, cãibras, disfunção erétil ou, em alguns casos, não ter sintoma algum. Com a progressão da doença, o quadro clínico clássico vai se manifestando com urina, fome e sede em excesso e emagrecimento não intencional. É importante ressaltar que a obesidade não descarta esse diagnóstico, pelo contrário, cerca de 80% dos pacientes diabéticos são obesos. Ao perceber os sintomas o paciente deverá procurar avaliação médica”, afirma a médica.

Segundo a dra. Emanuela, há uma epidemia de obesidade e, nos dias atuais, o número de pessoas com diabetes tipo 2 tem aumentado, acometendo até mesmo jovens e crianças com sobrepeso. “Essa forma da doença pode ser retardada ou prevenida com atividades físicas regulares, dieta saudável e controle do peso. É possível ter uma vida ativa e longa com diabetes, basta manter os níveis de glicose dentro do alvo e seguir a orientação dos especialistas, como o rastreio precoce das possíveis complicações”, aconselha a médica.

*Dra. Emanuela Cavalari é médica endocrinologista e faz parte da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia