29 set

Caso real: descobrindo e convivendo com o câncer

Minha vida sempre foi normal. Uma mulher de 40 anos, realizada profissionalmente, casada, feliz. Tinha acabado de realizar meu grande sonho de ser mãe. E tudo transcorria muito bem. Adoro ler, viajar, caminhar, bater papo com minhas irmãs e amigas e sair com meu marido.

Há tempos na minha rotina de saúde fazia consulta com mastologista e mamografia e, em junho de 1988, o médico constatou algo diferente, fiz punção e o médico optou por cirurgia. Assim, confirmou-se a suspeita de câncer de mama. Quando me deram a notícia, o chão faltou sob meus pés. Aí percebi a fragilidade da vida, mas resolvi lutar com todas as minhas forças, pois eu queria viver para ver minha filha, então com três anos, crescer, estudar, se formar, casar. Isto tudo já aconteceu. Agora, quero ver meus netos. Então, me armei de coragem, esperança e fé.

Precisei de muita força e pensava constantemente em minha filha. Eu queria abraçá-la, beijá-la criá-la, acompanhá-la, orientá-la, não queria deixá-la. Eu queria viver. Esta foi a maior motivação para lutar contra o câncer.

Esta força se apresentou todas as vezes em que o câncer retornou. Nestes 27 anos que convivo com câncer de mama, várias foram as recidivas: em toda a mama, na cicatriz esquerda, duas vezes, na axila direita, no olho esquerdo, no olho direito e nódulos no fígado. Ao todo foram 8 vezes que ouvi o mesmo diagnóstico.

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Foram várias cirurgias e vários os medicamentos por mim usados, além de cinco vezes de radioterapia e uma de quimioterapia. No começo eu ficava muito assustada, mas sempre reagi com fé, esperança e garra. Tinha que lutar, ser forte, ser guerreira. Nas últimas já encarei com mais naturalidade e pensava que iria sair dessa novamente.

E lá ia eu para os tratamentos. Era uma guerra que eu travava todas as vezes que o câncer retornava. Apesar de retornar tantas vezes, ainda estou aqui e espero continuar por muito tempo, com a ajuda de meus competentes médicos, que sempre me deram carinho, esperança e bons tratamentos.

Hoje estou bem e procuro viver “um dia de cada vez”. Levo uma vida tranquila, já estou aposentada. O que mudou em minha vida são as prioridades. Fico bem, fico feliz quando estou com saúde e com paz no coração. O que peço a Deus todos os dias é que tenha saúde e minha família esteja bem.

Por isso, à todas as mulheres que estão passando pelo momento difícil do diagnóstico e/ou tratamento do câncer de mama, desejo que tenham esperança, fé e que lutem sempre, sem esmorecer. Desejo que lutem com garra para poder vencer o câncer e não deixar que ele as vençam. Continuem suas vidas e nunca se entreguem. Assim como eu nunca me entreguei, e vivo uma vida feliz. Sim, é possível.

Vera-Maria*Vera Maria Fedrigo Giacomello é professora aposentada em Bento Gonçalves. Foi diagnosticada com câncer 8 vezes ao longo de 27 anos. E nunca desistiu de lutar contra a doença.