04 jul

Bulimia Nervosa

“Entenda o que é a bulimia nervosa com a ajuda da psiquiatra Ana Clara Floresi”

A bulimia nervosa é um distúrbio alimentar com episódios de descontrole na ingestão de alimentos em um curto intervalo de tempo. A doença está associada também a reações inadequadas para evitar o ganho de peso, como jejum prolongado, muita atividade física, indução ao vômito, uso de diuréticos e laxantes, entre outros.

O transtorno pode atingir até 4% da população, sendo que nove entre dez pacientes são do sexo feminino. Essa doença tende a aparecer entre a adolescência e o início da idade adulta, com pico de incidência por volta dos 20 anos.

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Complicações da bulimia nervosa

De acordo com a psiquiatra Ana Clara Floresi, a bulimia nervosa está associada a outros transtornos psiquiátricos, principalmente a quadros de alcoolismo, drogas e depressão. Os pacientes acometidos por essa doença correm o risco de complicações clínicas e de morte, principalmente quando não recebem o tratamento adequado.

“As complicações clínicas podem ser diversas e afetar vários sistemas do corpo humano, sendo as mais comuns: alterações de eletrólitos (potássio, sódio, fósforo, entre outros), erosões do esmalte e perda dentária, aumento das glândulas parótidas, lesões esofágicas e gástricas, obstipação, edemas, entre outros. Dependendo da gravidade destas alterações eletrolíticas o indivíduo acometido pode apresentar repercussões graves, como arritmias, convulsões e confusão mental, o que contribui para o risco maior de morte nesta população”, explica a médica.

Desencadeamentos

Ana Clara Fluresi detalha que alguns estudos mostram que 20 a 30% dos casos de bulimia nervosa tinham anorexia nervosa previamente. E que este dado ilustra a migração entre os transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia nervosa e comer compulsivo), que tem se mostrado frequente. Sendo assim, é possível que a paciente sofra inicialmente de anorexia nervosa e adiante evolua para bulimia nervosa, ou ao contrário.

Diagnóstico e prevenção da bulimia nervosa

Para o diagnóstico da bulimia nervosa, a psiquiatra indica que é preciso observar os episódios de comer compulsivamente e os métodos chamados compensatórios (para evitar ganho de peso) numa ocorrência semanal durante três meses, e a associação destes a uma preocupação excessiva com peso e formas corporais.

O tratamento da doença é realizado por uma equipe multidisciplinar, que inclui profissionais da área de psiquiatria, nutrição e psicologia. O uso de medicações é avaliado em cada caso, e pode ser receitado dependendo do estágio da bulimia nervosa. “Estudos já mostraram que a melhora satisfatória ocorre em 50% a 70% dos casos. E a demora pela procura da ajuda profissional pode desencadear uma evolução na doença e prejudicar o tratamento deste transtorno”, afirma.