Depressão: qual o motivo dela atingir mais as mulheres?

Depressão: qual o motivo dela atingir mais as mulheres?

A depressão foi o tema escolhido para a campanha do Dia Mundial da Saúde 2017, em 7 de abril. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 4,4% da população mundial é afetada por esse mal. O Brasil é segundo país das Américas com o maior número de casos diagnosticados e o primeiro da América Latina, atingindo 5,8% da população nacional, cerca de 12 milhões de brasileiros, em sua maioria do sexo feminino.

Dados estatísticos apontam que as mulheres têm uma prevalência de cerca de 20% de depressão ao longo da vida e um risco de 1,5 a três vezes maior de desenvolver a depressão do que os homens. De acordo com psiquiatra, Rodrigo Ramos, essa diferença pode ser explicada por particularidades hormonais, questões de estresse próprias do universo feminino e por fatores relacionados à experiência gestacional. “O próprio Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, a famosa e popular Tensão Pré-Menstrual (TPM), configura-se como um tipo de Transtorno Depressivo”, afirma.

Sintomas da depressão

De acordo com o especialista, não existem diferenças significativas dos sintomas entre as depressões masculinas e femininas e ambas se caracterizam por um conjunto que envolve a presença de tristeza, desânimo, perda de prazer ou interesse em se fazer coisas que outrora eram satisfatórias, choro fácil e sintomas ansiosos. Ele diz que há ainda um pensamento de menos valia, pessimismo consigo próprio, com os outros e com o mundo, sentimento de culpa e pensamento de morte que podem envolver, inclusive, ideação suicida. “Estão presentes também sintomas somáticos como alteração do padrão de sono e apetite, alterações na capacidade de concentração e memória, prejuízo da libido, dores crônicas, sensação de fadiga e alterações psicomotoras como lentificação dos movimentos ou inquietude” , declara.

A gestação é uma fase em que há um destaque no desenvolvimento de quadros depressivos. Rodrigo explica que a depressão gestacional tem uma prevalência de algo em torno de 18% e pode prejudicar a relação mãe-feto, tão fundamental para uma boa aceitação da gravidez. “São considerados fatores de risco para o desenvolvimento desse mal nessa fase: história de transtornos de humor ou ansiedade, história de depressão pós parto, história de transtorno disfórico pré-menstrual, doença psiquiátrica na família, abuso sexual na infância, gravidez precoce, gravidez não planejada, gravidez não desejada e não aceita, mães solteiras, ter um número grande de filhos, suporte social limitado, ser vítima de violência e conflitos domésticos, baixo nível de escolaridade, tabagismo e abuso de substâncias. A depressão gestacional é o principal risco de depressão pós-parto”, diz.

O profissional detalha que a depressão pós-parto corresponde à instalação do conjunto de sintomas dessa doença dos primeiros dias até 6 meses após o nascimento do bebê. Como a mãe é a principal fonte de relação do recém-nascido com o mundo, sendo suporte principal para a evolução neurológica nas fases iniciais da vida infantil, esse diagnóstico pode trazer alterações no desenvolvimento do bebê que vão desde alterações de sono e comportamento até prejuízo na aprendizagem. A ideia de que a gravidez só deve trazer momentos mágicos à mulher, embora absolutamente falsa, pode levar com que muitas pessoas não procurem tratamento e que haja, assim, o subdiagnóstico.

“Não se pode confundir depressão pós-parto com baby blues ou disforia pós-parto, um quadro adaptativo que acomete de 60 a 80% das mulheres e que está relacionado aos mecanismos de ajustamento da mulher à nova vida. Esse quadro dura cerca de duas semanas”, explica o psiquiatra.

A depressão, na maioria dos casos, exige tratamento específico e especializado, muitas vezes requerendo a presença de uma medicação.Para o médico, é fundamental a atenção de toda sociedade para todas as mudanças de humor em todas as fases da vida da mulher porque muitas vezes ela pode estar envolvida com um quadro depressivo.

Dr. Rodrigo Ramos*Rodrigo de Almeida Ramos – Psiquiatra e psicodramatista, mestre em Medicina pela Faculdade de Ciências Medicas da Santa Casa de São Paulo, diretor do Núcleo Paulista de Especialidades Médicas e da Clínica Vínculo, especializada em Saúde Mental.

 

Está perdendo urina de forma involuntária? Conheça ações que podem ajudar

Está perdendo urina de forma involuntária? Conheça ações que podem ajudar

Muitas pessoas têm medo de avisar aos familiares e até procurar um médico para descobrir a origem da perda involuntária de urina, porque acreditam que terão que passar por uma cirurgia para resolver o problema. Mas nem sempre é assim.

A fisioterapeuta pélvica Cláudia Hacad, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, explica que a fisioterapia é a primeira linha de tratamento conservador. “Segundo a Sociedade Internacional de Incontinência, os exercícios do assoalho pélvico, para fortalecimento e melhora da coordenação desse assoalho, são considerados primeira linha de tratamento conservador. Isso já é bastante estabelecido. E existem associações com técnicas como biofeedback e eletroestimulação para melhorar os resultados”.

Os exercícios são feitos com contração do assoalho pélvico, para fortalecer o músculo. O
biofeedback ajuda a saber a forma correta de praticar, por oferece maior consciência do assoalho pélvico. Segundo a fisioterapeuta, estudos indicam que 30% das mulheres não têm consciência do assoalho pélvico.

No biofeedback é colocado um eletrodo intravaginal ou na região do assoalho pélvico externo e ele capta a atividade do músculo do assoalho. O paciente consegue ver na tela do computador e entender como deve ser o treinamento, a contração. “Em muitos casos eu peço a contração e o paciente não entende o que é. Com o biofeedback a pessoa entende e depois consegue treinar sem o aparelho”, diz Cláudia. “O paciente treina para saber que exercício terá que fazer e replicar em casa, no seu dia a dia. Quando pega o jeito, consegue fazer em qualquer lugar, em qualquer momento”.

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Como é o tratamento da perda urinária

Quando se fala em período de tratamento e prática dos exercícios, a fisioterapeuta avisa que cada caso é avaliado individualmente. Mas para dar uma ideia, refere-se aos estudos sobre fisiologia muscular – já que o assoalho pélvico é um músculo. “Quando a pessoa busca ganhar força, trofismo das fibras musculares, necessita de treinos diários por três meses, ou seja, 12 semanas”, explica. “Mas tem pacientes que depois de quatro semanas está pronto. No assoalho pélvico não se pode pensar somente em força, mas também em coordenação. Muitas vezes a pessoa tinha a força preservada e só não estava com coordenação boa no fechamento do esfíncter. Então, em três, quatro ou cinco sessões resolve”.

Para quem vai reforçar esse músculo, a sugestão é treinos diários, três vezes por dia, pela manhã, à tarde e à noite. “Insere essa contração no seu dia a dia, em suas atividades diárias. Muitas vezes simulamos na fisioterapia as atividades do cotidiano para treinar os exercícios já nesse contexto”.

Uma dúvida que costuma surgir é sobre a possibilidade de a incontinência urinária voltar. Cláudia avisa que depois de algum tempo após a parada dos exercícios pode acontecer de voltar a perda involuntária de urina. “É um treino muscular como outros. Como a pessoa que sempre faz trabalho no braço, por exemplo, e está ótimo, com força. Se parar por um período, ele fica fraco novamente e precisa retomar o treino”.

Com o músculo do assoalho pélvico é a mesma coisa – depois que a pessoa aprende, se ocorrer qualquer perda de urina é só voltar a praticar os exercícios. “Geralmente quando o paciente melhorar, não lembra mais do treino. Então, se perder uma vez, volta a fazer as contrações”.

A fisioterapia pélvica costuma oferecer bons resultados para incontinência leve ou moderada. Nos casos mais severos, o tratamento começa com a fisioterapia com avaliação dos resultados. A fisioterapeuta esclarece que se a pessoa fez o treino da maneira correta, tem boa adesão e mesmo assim continua com perda, volta para o urologista, ginecologista ou geriatra, o médico que acompanha o tratamento, para avaliar novas condutas e estratégias de tratamento.

“Se tem bexiga hiperativa, frequência com urgência, existem medicamentos para inibir contrações involuntárias da bexiga. Em caso de incontinência de esforço, tem cirurgia minimamente invasiva, que é a colocação de sling, com pouquíssimo tempo de internação e mínimo risco”, afirma. “Na falha do tratamento conservador, que é a fisioterapia, tem o uso de medicamentos e a cirurgia”.

É considerada leve a incontinência em que o paciente perde algumas gotas. Moderada quando há perda de jatos algumas vezes e severa quando está perdendo urina direto, usando muitas fraldas.

Orientações de estilo de vida

Algumas ações simples podem ser inseridas na rotina e ajudar a diminuir a incontinência urinária – além de tornar melhor a qualidade de vida de quem enfrenta o problema. “Eu falo que 50% do tratamento são essas orientações”, destaca Cláudia.

Um dos pontos a observar é a forma como toma água. “Às vezes porque o médico mandou tomar três litros por dia, o paciente toma 750 ml só na hora do almoço”, avalia. “Não precisa jogar toda essa carga de líquido na bexiga de uma vez só. O ideal é ingerir líquido ao longo do dia, de pouco em pouco”.

Outra dica da fisioterapeuta é evitar ingestão de líquidos duras horas antes de dormir. Se precisa tomar remédio, ingere o suficiente para o medicamento apenas – não precisa mais do que isso. “Não há necessidade de tomar água a noite para dormir, porque não gasta energia. Vai ficar só retendo, acordar durante a noite e ter qualidade de sono ruim”.

Claudia também recomenda esvaziar a bexiga a cada duas horas. “Tem pessoas que dizem: ‘antigamente eu conseguia ficar 4, 5 horas segurando a urina’. Como se isso fosse uma vantagem – não há vantagem nenhuma”.

Para criar essa rotina, a sugestão é colocar o relógio para despertar a cada duas horas, uma hora e meia, ou começar a prestar mais atenção às necessidades da bexiga. “Quando for urinar é preciso ver se esvaziou adequadamente. Se esvazia a bexiga, levanta e volta depois de 15 minutos, pode ser porque não fez corretamente antes. Fica mais um tempo, movimenta um pouco o corpo, espera esvaziar”.

A fisioterapeuta pélvica avisa que só essas orientações comportamentais de ingesta hídrica, evitar ingestão noturna de líquidos e esvaziar adequadamente a bexiga já traz muitas melhoras. “50% do tratamento está aí”.

Campanha Xi Escapou

A incontinência urinária (IU) atinge cerca de 10 milhões de brasileiros. Entre as mulheres, 35% enfrentam o problema após a menopausa. Entre os homens submetidos à cirurgia para a retirada da próstata, de 5% a 10% podem apresentar a doença. Para conscientizar sobre esse cenário, o Instituto Lado a Lado pela Vida, com o apoio da Bigfral, lançou em 2015 o programa Xi Escapou. O objetivo é acabar com medos e preconceitos e também capacitar profissionais para que saibam lidar com o distúrbio. Para saber mais, pode baixar gratuitamente a cartilha Diálogos da Incontinência Urinária no site do www.ladoaladopelavida.org.br/portal/nossas-publicacoes.

*Claudia Rosenblatt Hacad é Fisioterapeuta, Mestre em Ciências da Saúde pela Disciplina de Urologia da UNIFESP- São Paulo. Especialista em Biofeedback  eletromiográfico aplicado às Disfunções Pélvicas pelo BCIA (EUA). Instrutora do Curso Internacional de Biofeedback Eletromiografico aplicado às Disfunções  Miccionais e Pélvicas  do BFE. Criadora e Mediadora do Journal Club Online de Disfunções Pélvicas. Fisioterapeuta pesquisadora do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 

Conheça os exames de ultrassom mais indicados para mulheres na menopausa

Conheça os exames de ultrassom mais indicados para mulheres na menopausa

Mulheres na menopausa requerem, além dos exames preventivos habituais, de acompanhamentos especiais que podem ser feitos por exames de imagens. “Os exames de imagem são bem eficientes na avaliação preventiva de patologias. E devem ser utilizados como método de investigação”, afirma Dra. Beatriz Maranhão, radiologista do Lucilo Maranhão Diagnósticos. O objetivo é esse: prevenção e diagnóstico de tumores em fase inicial, onde existe uma maior chance de cura. Pensando no grupo de mulheres que já passaram dos 50 anos e precisam de um cuidado especial, Dra. Beatriz elenca os principais exames de imagem.

 

Ultrassom das mamas

Começando pelas mamas, além da mamografia, outro exame fundamental é o ultrassom das mamas, comumente usado como complemento ao rastreamento mamográfico, quando existir necessidade pela densidade mamária ou para avaliação de alteração palpável ao exame físico. “Nas pacientes menopausadas sua principal indicação é avaliar nódulos vistos nas mamografias. Este exame pode definir qual a característica do nódulo, se o seu componente é sólido ou líquido. Caso exista suspeita de malignidade pode também guiar a punção, que definirá a conduta”, diz Dra. Beatriz.

Ultrassom pélvico e transvaginal

O ultrassom pélvico e transvaginal possibilita a avaliação de todo sistema reprodutor, como útero, endométrio e ovários”. De acordo com Beatriz, esses órgãos apresentam frequentemente doenças benignas como miomas, pólipos e cistos. No entanto, “com o passar dos anos, a incidência de doenças mais graves pode aumentar e por isso o uso de ultrassom realizado por profissional experiente é fundamental para diagnosticar doenças em fase inicial, aumentando a possibilidade de cura”, diz.

Ultrassom de abdome superior

Já em órgãos que estão localizados no abdome superior, como o caso do fígado, vesícula biliar, baço, pâncreas e rins, a ultrassom de abdome é indicada.  “Nos casos de cálculos renais é possível rastreá-los ao ponto de saber dimensão e localização, afirmando seguramente se é necessário tratamentos mais complexos”, afirma Dra. Beatriz Maranhão.

Ultrassom da tireoide

Por fim, para que o check up fique completo, a ultrassom da tireoide é indicada. “O índice de nódulo de tireoide é maior em mulheres e o exame de imagem consegue identificar alterações, caso o nódulo seja suspeito. Se isso ocorrer, uma punção pode ser indicada, definindo se há ou não necessidade de uma intervenção cirúrgica”, finaliza Dra. Beatriz.

*Beatriz Maranhão é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, professora convidada pela Mastologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz e radiologista pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira – IMIP, PE.

Dia Internacional da Mulher: descubra 5 exames que ajudam a manter a saúde feminina em dia

Dia Internacional da Mulher: descubra 5 exames que ajudam a manter a saúde feminina em dia

Hoje, 8 de março,  comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Data em que devemos ressaltar a importância do cuidado com a saúde do público feminino, que inclui a realização periódica de exames de rotina. Conheça alguns dos principais exames que auxiliam na prevenção de doenças de acordo com a ginecologista, Dra. Maria Elisa Noriler:

Papanicolau

É importante a realização desse exame para detectar HPV, câncer do colo de útero e diversas DSTs. Devem realizar anualmente o procedimento as mulheres que têm entre 25 e 65 anos e que já tiveram relações sexuais.

Mamografia

Este exame, que tem como finalidade estudar o tecido mamário, é o principal exame para detectar lesões benignas e cânceres, que geralmente se apresentam como nódulos ou calcificações. Mulheres acima dos 40 anos devem fazer o exame anualmente ou quando o médico julgar necessário de acordo com a inclusão da paciente no grupo de risco.

Ultrassom Pélvico

Este exame avalia os órgãos genitais internos da mulher (ovários, útero, trompas) e serve para detectar doenças, acompanhar a gestação e controlar a ovulação em episódios de infertilidade.

Colposcopia

É realizada para analisar a vulva, a vagina e o colo do útero para identificar inflamações ou doenças como o HPV e o câncer. Normalmente é solicitada em caso de alteração no papanicolau.

Ultrassom de tireoide

Ajuda a detectar nódulos na região e a evitar possíveis disfunções e doenças que podem prejudicar a produção de hormônios essenciais para a saúde da mulher.

Densitometria óssea

Indicado para mulheres que já passaram pela menopausa, este exame serve para medir a densidade dos ossos, a possível perda de massa óssea, além de atuar na prevenção e no diagnóstico da osteoporose.

“Cuidados preventivos são as melhores medidas para manter a saúde da mulher em dia e devem ser realizados mesmo que elas estejam se sentindo saudáveis. Doenças descobertas no início geralmente têm maiores chances de cura, por isso, é tão importante visitar o médico regularmente”, finaliza a ginecologista.

*Dra. Maria Elisa Noriler é Especialista em Ginecologia e Obstetrícia. É Médica Preceptora de Ginecologia e responsável pelo setor de Ginecologia Endócrina InfantoPuberal e Climatério do Hospital Municipal Maternidade Escola de Vila Nova Cachoeirinha desde fevereiro de 2010. Facebook/dra.mariaelisanoriler

Doenças de carnaval: saiba como evitar os problemas mais comuns no período da folia

Doenças de carnaval: saiba como evitar os problemas mais comuns no período da folia

Infecções sexualmente transmissíveis e disfunções no trato urinário estão entre as doenças mais recorrentes

Um dos períodos mais aguardados do ano esta chegando: o Carnaval. Com ele, chegam também toda a euforia e agitação típica da folia de momo. Pensando em aproveitar bastante os blocos e as festas carnavalescas, muitas pessoas acabam se descuidando da saúde. Por isso, nessa época é comum haver uma maior incidência de algumas doenças, como as sexualmente transmissíveis e as do trato urinário.

De acordo com o urologista Filipe Tenório, do Hospital Santa Joana Recife e da Clínica Andros, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são as mais comuns durante e após o Carnaval. É que parte da população costuma ter relações sexuais sem proteção e assim são contaminadas por vírus e bactérias. “HPV é a doença mais recorrente no período. Se caracteriza por um vírus com mais de cento e vinte subtipos, no qual, 40% causam verrugas genitais. Elas podem ocasionar vários tipos de câncer, como colo de útero”, explica. Ainda segundo o médico, não existe remédio para tratar o vírus. A única forma de evitar a contaminação é através do uso da camisinha.


A sífilis é outra doença sexualmente transmissível comum no carnaval. Provocada por uma bactéria, ela se caracteriza por uma lesão vermelha no pênis, que desaparece com o tempo. Mas, após a infecção inicial, a bactéria pode permanecer no corpo da pessoa por muito tempo e depois se manifestar novamente. Outras bactérias também são as responsáveis por causar a uretrite, gonorreia e clamídia, cuja propagação é realizada através do ato sexual. “Algumas dessas infecções podem desencadear problemas mais graves, como a infertilidade. Por isso, é necessário tratá-las rapidamente”, afirma.

Para evitar a contaminação, o ideal é sempre utilizar preservativos e também manter uma boa higiene na região íntima. “Durante o carnaval as pessoas passam muito tempo na rua, suando. Isso causa uma predisposição natural a infecções por fungos e bactérias. Por isso, não é indicado ficar muito tempo sem tomar banho”, ressalta Filipe Tenório. “Evitar comportamentos de risco, como o uso de drogas, também é uma opção para poder se prevenir corretamente durante as relações sexuais”, recomenda.

Além das ISTs, doenças do trato urinário também estão entre as mais comuns durante o carnaval. Isso acontece por causa da pouca ingestão de água e pelo hábito de contenção urinária. “Já que em algumas ocasiões nem sempre é possível ter fácil acesso à água e ao banheiro, as pessoas acabam deixando para depois. Mas, esses costumes podem provocar infecção urinária, devido ao acúmulo de xixi, e agravar os problemas de quem já sofre de cálculos renais”, explica o urologista.

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco em 2008, possui Residencia Medica em Cirurgia Geral pela SES – Hospital da Restauracao, e Residencia Medica em Urologia pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira – IMIP. Especializado (fellowship) em Infertilidade Masculina e Saude Sexual pela Weill Cornell Medical College – Nova York/EUA em 2015/16. Suas areas de interesse sao Urologia, Infertilidade Masculina, Saude Sexual e Microcirurgia. Membro da Sociedade Brasileira de Urologia – SBU, da Associacao Americana de Urologia – AUA, da Sociedade Internacional de Medicina Sexual – ISSM, e da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva – ASRM. Faz parte do corpor clinico do Servico de Urologia do Instituto de Medicina Integral Prof.Fernando Figueira – IMIP.

Celulite: veja os tratamentos que ajudam a combater

Celulite: veja os tratamentos que ajudam a combater

Muitas horas sentadas, uma fugida da dieta e até mesmo a genética podem ser a causa da celulite, um problema que as mulheres tanto temem. Atualmente, aproximadamente 85% das mulheres com mais de 35 anos possuem. A celulite é uma inflamação acontece em três graus. No primeiro nível, a celulite aparece quando a pele é pressionada. Já no nível dois, não é necessária nenhuma pressão na pele para que o problema seja percebido. No terceiro nível, além dos furos mais profundos, pode haver sensação de dor.

A formação das marcas ocorre devido ao acúmulo de gordura por baixo da pele. “As células linfáticas congestionam o local, dificultando a circulação sanguínea, a oxigenação das células e a eliminação de gordura, resultando no inchaço local, seguido de ondulações na pele”, explicou o cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Tiago André Ribeiro.

Por estar ligada a hábitos físicos e alimentares, a celulite é um problema difícil de eliminar por completo. Na maioria das vezes, os tratamentos estéticos melhoram o aspecto da pele apenas de forma momentânea. De acordo com o cirurgião plástico, os procedimentos obtêm melhores resultados caso a paciente siga uma dieta de reeducação alimentar e a prática de exercícios físicos.

“É preciso reduzir o consumo de açúcar e gordura, e o mais importante, beber bastante água. Exercícios aeróbicos ajudam na queima de gordura localizada, enquanto a musculação torna a pele mais firme. Caso, não haja mudança no comportamento, os furinhos voltarão a aparecer”, afirmou o cirurgião plástico.

Como eliminar a Celulite

De forma geral, para eliminar a celulite é preciso movimentar a gordura até que ela seja eliminada do corpo. Para isso, há algumas técnicas. Enquanto uns procedimentos deslocam as células de forma manual, outros aquecem ou esfriam o local, fazendo com que a gordura se desprenda das travas fibrosas e seja expelida pelo organismo.

Tratamentos que ajudam a diminuir a celulite

Massagens modeladoras

Este é um dos tratamentos mais eficazes na redução da celulite. De forma manual, o profissional faz uma massagem profunda no paciente, movimentando as células de gordura e melhorando a circulação do sangue. “Assim, a gordura localizada vai diminuindo e as toxinas são eliminadas pela urina. A massagem ainda reduz as medidas e melhora a flacidez da pele”, complementa o cirurgião plástico.

Drenagem linfática

Este é outro método bastante conhecido. A ação consiste em uma mensagem que estimula o sistema linfático a trabalhar mais rápido. A técnica diminui o acúmulo de líquidos e melhora a circulação na área com celulite. “Depois de realizar os procedimentos, adotar hábitos de vida saudáveis é imprescindível. Desta forma, os resultados são mais prolongados e evita o reaparecimento das marcas mais frequentes”, alerta o doutor Tiago Ribeiro.

Subcision

Subcision é uma técnica para a correção de rugas e sulcos da face, cicatrizes deprimidas e outras alterações do relevo cutâneo, incluindo a celulite. Nestas condições, a pele encontra-se retraída por septos de fibrose subcutânea. Com a técnica, as traves fibróticas subcutâneas são seccionadas para liberar a tração que elas exercem sobre a pele.

“Antes do procedimento é preciso passar por uma avaliação clínica criteriosa onde é possível detectar condições que podem comprometer sua realização. É importante investigar distúrbios da coagulação, tabagismo, fatores nutricionais, infecção local e história de cicatrizes hipertróficas e/ou quelóides. Além disso, determinar o número de sessões necessárias para o tratamento, que vai variar de acordo com o tamanho, profundidade, localização do defeito e a tendência individual à formação de colágeno”, explicou o cirurgião plástico, Tiago Ribeiro.

O Subcision pode ser utilizado em conjunto com a lipoescultura, para o preenchimento cutâneo, corrigindo as depressões do relevo que aparecem após a lipoaspiração, nas cicatrizes deprimidas, nas áreas que sofreram trauma ou nas celulites. “Contudo, essa técnica não é indicada para a correção da celulite de graus mais leves, como os graus I e II, nem para o tratamento de flacidez de pele ou gordura localizada”, completou o Tiago. O procedimento é de pequeno porte, seguro e só pode ser realizado por médicos.

*Tiago Ribeiro é cirurgião plástico especialista pelo Hospital Santa Marcelina, de São Paulo, graduado em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Febra Amarela: perguntas frequentes sobre a doença

Febra Amarela: perguntas frequentes sobre a doença

O Brasil está passando por um surto de febre amarela, especialmente nos estados de Minas Gerais e Espirito Santo, e agora alguns casos em São Paulo. De acordo com um boletim divulgado pelo Ministério da Saúde no último dia 01 de fevereiro, até o momento foram registradas  857 notificações da doença, 770 delas em Minas, e 52 mortes. Para tirar dúvidas da população sobre sintomas e vacinação da febre amarela, a equipe de Infectologia, em especial dos comitês de arboviroses, imunizações e medicina de viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia, elaborou algumas perguntas e respostas frequentes. Leia: 

O que é febre amarela?

A febre amarela pertence à classificação das arboviroses assim como a dengue, zika e o chikungunya, mas os sintomas são muito diferentes. É uma doença causada por um vírus (flavivírus) e transmitida por mosquitos chamados de Haemagogus e Sabethes (em região silvestre) e Aedes (em área urbana). Apesar das duas formas não há diferença de sinais e sintomas e o paciente pode ficar com o corpo todo amarelo. Até o momento não há relatos de transmissão de febre amarela direta entre pessoas.

O vírus ocorre em locais de clima tropical sendo mais comum na América do Sul e na África. É considerado um vírus perigoso, pois pode causar formas graves de doença e a maioria das pessoas não apresenta sintoma e evolui para a cura.

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Aedes Aegypti – mosquito transmissor da febre amarela

Quais são os fatores de risco?

Pessoas que nunca entraram em contato com o vírus da febre amarela ou nunca foram vacinados possuem risco de contrair a doença quando viajam para locais em que a doença exista. O risco é maior para as pessoas com mais de 60 anos de idade e qualquer pessoa com imunodeficiência como pessoas vivendo com HIV/Aids, transplantados, pessoas com doenças reumatológicas que usam imunossupressores entre outros.

Quais os sintomas da febre amarela?

A maioria das pessoas que adquire o vírus da febre amarela não apresenta sintomas. Quando os sintomas aparecem, as pessoas têm febre baixa, dores musculares em todo o corpo, principalmente nas costas, dor de cabeça, dor nas articulações, náuseas e vômito e fraqueza.

Esses sintomas duram entre três e quatro dias e vão diminuindo até desaparecer, mas alguns pacientes podem ter sintomas mais graves cerca de 24 horas após a recuperação dos sintomas mais simples ou já ter o quadro clínico de forma rápida, podendo atingir vários órgãos do corpo, principalmente o fígado e os rins. Os sintomas dessa fase são febre alta, icterícia (amarelidão) pela inflamação no fígado, vômitos com sangue, urina escura, sangramentos de pele e olhos avermelhados. Em casos mais graves o paciente pode evoluir muito mal e morrer.

Existem tratamentos para a febre amarela?

A forma mais eficaz de evitar a febre amarela é por meio da imunização. A vacina é constituída de vírus vivo atenuado, isso quer dizer que ele foi enfraquecido para não causar doenças em pessoas saudáveis. O vírus age estimulando o organismo a produzir a própria proteção contra o vírus e o efeito aparece cerca de 10 dias após a injeção. Apresenta eficácia acima de 97,5% e a proteção persiste por mais de 40 anos.

Como podemos a prevenir a picada desse mosquito?

  • Usar camisas de mangas compridas e calças.
  • Ficar em lugares fechados com ar condicionado ou que tenham janelas e portas com tela, para evitar a entrada de mosquitos.
  • Dormir com mosquiteiros.
  • Usar repelentes registrados oficialmente contra insetos. Quando usados como orientados são seguros e eficazes, mesmo na gestação ou amamentação.
  • Sempre seguir as orientações das bulas.
  • Evitar uso de produtos com associação de repelente e protetor solar na mesma formulação.
  • Se for usar protetor solar, aplicá-los antes do repelente.
  • Para crianças:
  • Não usar repelente em crianças com menos de 2 meses de idade.
  • Vestir as crianças com roupas que cubram braços e pernas.
  • Cobrir berços e carrinhos com mosqueteiro.
  • Não aplicar repelente nas mãos das crianças.
  • Não usar produtos com permetrina diretamente na pele.
  • Podem-se utilizar roupas impregnadas com permetrina.

Quem deve tomar a vacina contra a febre amarela?

A vacina está indicada a partir dos 9 meses de idade. Porém, em condições de surto, poderá ser antecipada para os 6 meses de idade. A aplicação é por via subcutânea. No Brasil, são recomendadas duas doses:

  • Crianças: a primeira dose aos 9 meses e 1 dose de reforço aos 4 anos;
  • Crianças maiores de 5 anos de idade não vacinados, ou adultos não vacinados: deve ser aplicada 1 dose, com um reforço em 10 anos.
  • Maiores de 5 anos com 1 dose realizada antes dos 5 anos de idade: 1 dose de reforço.

Quem não pode tomar a vacina?

Nem todas as pessoas podem ou devem fazer a vacina, necessitando sempre indicação médica. Algumas situações clínicas aumentam o risco de complicações com a vacina, e contraindicam a aplicação, como as citadas abaixo:

  • Pessoas com alergia a algum componente da vacina e alergia a ovos e derivados;
  • Imunodeficiências (doenças que levam a alterações no sistema de defesa) congênitas (nascidas com a pessoa) ou adquiridas, incluindo as terapias que levam a alterações do sistema de defesa, como quimioterapia e doses elevadas de corticosteroides;
  • Histórico de doença do timo (órgão linfático), incluindo a miastenia grave, timoma (câncer no timo) ou remoção do timo anteriormente;
  • Indivíduos sintomáticos infectados pelo HIV que estejam doentes ou apresentam defesas baixas (CD4 abaixo de 200 células/mm3);
  • Crianças menores de 6 meses de idade, devido ao risco de encefalite.

Devemos fazer uma avaliação antes de tomar a vacina?

Há situações especiais na qual a indicação da vacinação deverá ser avaliada pelo seu médico que irá expor qual o risco e o benefício de receber ou não a vacina. Alguns exemplos que seu médico deve avaliar:

  • Crianças entre seis e oito meses;
  • Pessoas com idade acima de 60 anos;
  • Gestantes;
  • Mulheres amamentando crianças menores de seis meses.

Que reações podem ocorrer após a vacina?

As reações que podem acontecer após a vacinação são raras, mas quando ocorrem, necessitam ser avaliadas pelo médico:

  • Reação muito comum (ocorre em 4% dos pacientes): dor de cabeça, reações no local de aplicação como dor, vermelhidão, hematomas, inchaços, que podem ocorrer em até 2 dias depois da vacina;
  • Reação comum (ocorre em 4% dos pacientes): náusea, diarreia, vômito, dor muscular, febre e cansaço, que podem ocorrer após o terceiro dia da vacina;
  • (menos de 0,1% dos pacientes): problemas neurológicos, como infecção no sistema nervoso, que ocorrem de 7 a 21 dias depois da aplicação da vacina;
  • Reação raríssima (poucos casos descritos no mundo): dor abdominal e dor nas articulações, icterícia (amarelão), falta de ar, urina escura, hemorragias, perda da função do rim, que pode ocorrer em até 10 dias após a aplicação da primeira dose de vacina.

Temos outros medicamentos para combater a febre amarela?

Não existem medicamentos específicos contra o vírus da febre amarela e não devem ser utilizados antiinflamatórios e ácido acetilsalicílico (AAS).

Pacientes graves devem ser tratados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para hidratação endovenosa e reposição do sangue perdido nas hemorragias. Pode ser necessário diálise quando houver insuficiência renal.

*Participaram da elaboração desse documento: Dr. Edson Abdala, Dra. Helena Brígido, Dr. Jessé Reis Alves, Dr. Leonardo Weissmann, Dra. Lessandra Michelim, Dra. Priscila Rosalba D. Oliveira, Dra. Raquel Silveira Bello Stucchi e Dr. Sergio Cimerman, com a participação dos Comitês de Arboviroses, Imunizações e Medicina do Viajante, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Diagnóstico de câncer: conheça como o  bem-estar psicológico é importante para ajudar no tratamento

Diagnóstico de câncer: conheça como o bem-estar psicológico é importante para ajudar no tratamento

O diagnóstico de um câncer certamente é uma das notícias mais difíceis na vida de qualquer pessoa. Neste momento, o paciente, familiares e amigos se enchem de perguntas, incertezas e inseguranças. E para entender como as mulheres podem enfrentar a doença sem se deixar levar pela tristeza e questionamentos, conversamos com a psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. Confira as dicas da profissional!

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Ao receber a notícia do câncer, como o paciente pode se preparar psicologicamente para a luta?

Imediatamente após receber o diagnóstico oncológico, cada pessoa reage utilizando os mecanismos de enfrentamento que já possui. Desta forma, mulheres que possuem um maior aprendizado de vida, espiritualidade, etc, encontra em si mesma mais recursos emocionais para lidar com a notícia. Esses recursos aliados ao apoio da equipe multiprofissional de saúde, família e dos amigos, irão contribuir para que ela possa “organizar-se” internamente e externamente para as etapas que se sucedem (tratamento do câncer, cirurgia, etc).

Esse seria o melhor dos cenários de enfrentamento, ou seja, bons recursos internos (pessoais) e bons recursos externos (rede de apoio). Mas sabemos que infelizmente nem sempre a situação é essa.
Quando a mulher tem poucos recursos internos, mas os externos são eficientes, apesar do sofrimento pessoal ser intensificado, a rede de apoio ajudará muito a passar por esta etapa, atuando muitas vezes como apoio, incentivo e ajudando-a a ressignificar essa experiência – o que pode fortalecê-la no futuro.

Pessoalmente preocupa-me o pior dos cenários: poucos recursos internos de enfrentamento e ainda por cima, rede de apoio ineficaz. Nestas condições, a mulher sentirá possivelmente desamparo, abandono, insegurança e medo, muito acima do esperado nesta condição da vida.

Como a família pode ajudar no apoio psicológico ao paciente?

As inseguranças por parte da paciente são esperadas, o medo e a ansiedade também. Questões como: se o tratamento será eficaz, se há risco de morte, se o tratamento será doloroso, se os cabelos vão cair, se perderá a beleza, se conseguirá passar por toda essa etapa sem desmoronar, como sua rotina será afetada, se vai precisar parar de fazer atividades que gosta, se poderá continuar a trabalhar, cuidar dos filhos, da família… são tantas questões!

Algumas perguntas poderão ser respondidas logo no início, outras dependerão do tempo e da resposta do organismo da mulher ao tratamento. Agora, imagine ter que lidar com tudo isso?
Ter apoio da família, no sentido de ser tranquilizada, respeitada, receber ajuda, elogios pelo esforço e empenho em seguir o tratamento corretamente, ajudará bastante.

Quando a família ajuda e dá apoio, a mulher se sente importante, merecedora do amor e consideração e tende a se sentir mais amparada. Entretanto, a família precisa entender que o papel dela em ajudar pode não ser o suficiente para que a paciente responda bem ao tratamento – e nesta situação o apoio profissional de um psicólogo pode esclarecer os papéis e minimizar os conflitos da família.

Qual a importância do acompanhamento psicológico nestes casos?

O psicólogo tem treinamento no comportamento humano, no diagnóstico de comorbidades de doenças mentais e na mediação de conflitos. Seu papel é avaliar como é o enfrentamento da paciente/família nesta situação de crise inesperada, quais são suas forças e fraquezas e como atuar para que ajudem no tratamento oncológico.

Nós não fazemos mágica e nem lemos os pensamentos das pessoas, por isso, a paciente precisa desejar nossa ajuda, aceitá-la ou pelo menos ter curiosidade no que podemos fazer para ajudar. A aproximação do psicólogo deve ser oportunidade, e se firmar como uma parceria entre o profissional, o paciente e a família. Sendo assim será mais tranquilo o processo terapêutico que contribuirá para o tratamento.

O bem-estar psicológico é importante para a conquista da cura?

Absolutamente importante.

Nós separamos saúde psicológica da saúde do corpo por uma questão cultural bastante errônea. Não há corpo sem emocional ou emocional sem corpo, essas esferas da nossa vida existem em conjunto. Uma complementa a outra. Sendo assim, as emoções exercem uma importante influência na nossa saúde, nas nossas doenças, no tratamento e consequentemente na resposta ao tratamento.

Quando nossa saúde psíquica está adequada, vamos receber, enfrentar e reagir aos problemas da vida com mais assertividade e força. Com isso temos nossas chances de sucesso aumentadas.

Quando nossa saúde psíquica vai mal, tudo fica intensificado, nosso humor não nos permite enxergar as oportunidades e vemos só as dificuldades. Em consequência, alcançar uma vitória parece impossível. Em decorrência disso, a pessoa pode até investir menos e dedicar-se menos, pois começa uma luta já achando que irá perder.

É claro que não basta acreditar na vitória para vencer e muito menos superar uma doença. Mas sem canalizar as energias adequadamente (a atenção, o esforço, o empenho) quando estamos vivendo uma situação de crise, nós mesmos passamos a fazer parte do problema e não da solução.

Essa tende a ser a contribuição do psicólogo: clarificar e até mesmo traduzir o comportamento e emoções da paciente para que, de posse desse entendimento, ela tenha mais chances de decidir com autonomia como quer conduzir sua história de vida lutando pela saúde.

rita-calegari*Rita Calegari é coordenadora psicossocial do Hospital São Camilo.

E você, já passou por uma situação parecida? Conte a sua experiência para nós nos comentários!