02 set

Foro de Pacientes com Câncer de Mama em Gramado

No último dia 28 de agosto, o Mulher com Saúde esteve em Gramado – RS, para participar do Foro de Pacientes com Câncer de Mama. O debate teve como foco a discussão sobre os principais desafios do acesso aos tratamentos do câncer no Brasil e as políticas públicas relacionadas aos direitos da saúde do paciente.

O evento contou com a participação de vários especialistas na área de saúde, como os oncologistas Dr. Rafael Kaliks, Dr. Evanius Wiermann, Dr. Wesley Andrade e Dr. Gustavo Werutsky. O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Dr. Ruffo de Freitas e o Dr. Carlos Barrios, Diretor Executivo do Latin American Coorperative Oncology Group (LACOG), também estavam presentes.

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Desafio

O assunto câncer de mama é de grande seriedade e deve ser amplamente divulgado e discutido. Em um cenário onde vemos dados de que o câncer de mama é a maior causa de morte entre as mulheres brasileiras.Segundo dados do INCA, foram 576 mil novos casos de câncer em 2015. E destes, 52,120 serão de câncer de mama. 60% serão descobertos já em estagio avançado. De acordo com a Pesquisa Nacional de saúde em 2013, cerca de 21% das mulheres entre 25 a 64 anos não realizaram o exame preventivo nos últimos três anos.

Atualmente a indicação do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é que a mamografia seja feita no SUS por mulheres acima de 50 anos, com a justificativa do mesmo de diminuir os riscos e sequelas causadas pelos exames e falso-positivos. Entretanto, só de 2013 a 2014, 2.049 mulheres entre 40 a 49 anos faleceram.

De acordo com do Dr. Ruffo de Freitas, uma em cada 10 mulheres com câncer sobrevivem menos tempo quando tratadas pelo SUS, comparadas às mulheres tratadas na rede suplementar.

Já o Dr. Evanius Wiermann apontou o abismo existente entre o tratamento público e privado. O orçamento dos últimos dois anos do Governo Federal destinado à oncologia foi de apenas 6% da verba da saúde. Este é um dos fatores, por exemplo, que dificultam o acesso a exames como a mamografia e os exames clínicos, pois ocasiona falta de equipamentos e especialistas.

Vera - Paciente com Câncer de Mama

Vera – Paciente com Câncer de Mama

Câncer e a pesquisa no Brasil

Outro ponto destacado durante o foro foi a falta de contribuições científicas brasileiras na área. Os profissionais do país contribuem com apenas 1,1% do total dos estudos clínicos sobre o câncer publicados no mundo. “O Brasil está na 50ª posição no ranque da revista especializada Nature Reviews Cancer, em investimento e publicação em pesquisa. Além disto, com toda a burocracia do nosso país, um estudo demora mais de 360 dias para sua aprovação, sendo que em outros países, pode levar poucos dias”, declarou o professor e oncologista, Dr. Gustavo Werutsky.

Acesso ao tratamento e políticas públicas

O encontro reforçou a participação da sociedade civil organizada para melhorias no cenário da oncologia como um todo. Ainda, a mobilização e empoderamento da sociedade e a eficácia das ações de Advocacy em Saúde. “Não se trata simplesmente de ser e mostrar-se favorável a uma ideia ou a uma causa, mas sim, de atuar de modo planejado e estratégico para alcançar os resultados ou situação almejados ou defendidos”, explica Leoni Margarida, Presidente da Associação Brasileira dos Portadores de Câncer – AMUCC.

A Deputada Estadual Carmen Zanotto, que também esteve palestrando no evento, apresentou sua luta na Câmara dos Deputados, como frente parlamentar de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, com o objetivo de acompanhar a implementação da política nacional de atenção oncológica. “Pacientes entram na justiça por medicamentos indicados pelos especialistas, mas que não são incorporados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), com a justificativa de que não há estudos que comprovam a eficácia dos mesmos, sendo que internacionalmente estes estudos são amplamente divulgados e aceitos. Uma das nossas lutas é para que esses medicamentos sejam incorporados no Conitec, e que sejam fornecidos pelo Sistema Único de Saúde”, afirmou.

Ainda foram destacados no Foro os belos trabalhos de instituições e ONGs como a FEMAMA, o Instituto Oncoguia e a Casa das Mulheres, em São Paulo, que informam, lutam pelos direitos e cuidam de pacientes com câncer.